'Quem Ama Cuida' chegou ao capítulo 100 no início de setembro com diversos conflitos espalhados pelos núcleos da novela. No entanto, existem assuntos importantes que acabaram não recebendo o desenvolvimento que poderiam ter.
Um dos exemplos é a leucemia de Bruna (Nanda Marques). A doença chegou a ser mencionada como uma das razões para a personagem permanecer presa ao casamento com Pedro (Chay Suede), criando a possibilidade de que o assunto tivesse um peso maior na história do casal.
Mas, até agora, a questão ficou praticamente no campo da sugestão. A leucemia, explorada com profundidade em outras novelas, como em 'Laços de Família', acabou sendo esquecida na autal novela das nove.
A situação de Elisa (Isabela Garcia) é ainda mais curiosa. A personagem sente dores e a novela brincou algumas vezes com essa condição, mas a fibromialgia acabou sendo tratada muito mais como uma característica passageira do que como um problema capaz de interferir de verdade na vida dela.
Isso cria uma sensação estranha para o telespectador, pois em determinados momentos Elisa parece estar bem, enquanto em outros sente dores, mas pouco se explica sobre o que está acontecendo.
Além de ser um tema relevante, a doença poderia ter aberto espaço para cenas mais dramáticas e para que Isabela Garcia, uma atriz veterana de enorme experiência, recebesse um material à altura de seu talento.
Brigitte (Tatá Werneck) teve um dos temas psicológicos mais desenvolvidos da novela. Sua erotomania, associada a características borderline apresentadas na trama, movimentou boa parte de sua trajetória nas duas fases e levou a comportamentos problemáticos, obsessivos e, em alguns momentos, perigosos.
Agora, porém, esse aspecto parece ter perdido espaço. É verdade que Brigitte continua sendo complexa e que a novela encontrou outro caminho para ela, como entender a origem da rejeição de Pilar (Isabel Teixeira).
Ainda assim, seria interessante retomar a questão psicológica com responsabilidade, mostrando consequências e evolução em vez de simplesmente abandonar o assunto.
Outro mistério que ficou pelo caminho envolve Tiago (Gui Ferraz). A possível paternidade de Belmiro foi apenas arranhada na trama e poderia ter provocado uma grande transformação na vida do rapaz.
Pilar chegou a considerar um exame de DNA para descobrir se seu irmão morto era realmente o pai de Tiago, mas acabou desistindo da ideia. Com isso, a pergunta permanece sem resposta.
E existe um detalhe que pode deixar essa história ainda mais interessante: a aproximação entre Silvana (Belize Pombal) e Laurentino (Alan Rocha). A relação dos dois já rendeu cenas interessantes, mas poderia ganhar muito mais força caso surgisse a possibilidade de Laurentino ser o verdadeiro pai de Tiago.
Após ter sido excluído do comando da joalheria Brandão, Tiago (Gui Ferraz) ficou sem função na novela.
Diante disso, seria interessante vê-lo construir algo próprio, como abrir sua própria joalheria ou criar uma loja independente que pudesse criar inveja em Pilar e Ingrid (Agatha Moreira).
No campo pessoal, também seria interessante vê-lo se apaixonar por alguém que realmente esteja interessada nele, criando um romance que não dependa das disputas familiares.
Joel (Ricardo Teodoro) é outro caso que chama atenção. O próprio ator já revelou o desejo de ver o personagem vivendo um novo amor depois de Adriana não corresponder aos seus sentimentos.
A ideia faz sentido. Joel é um personagem querido, mas acabou ficando sem uma função muito clara na história memso sem conseguir conquistar Adriana. Um novo romance poderia resolver parte desse problema, especialmente se viesse acompanhado de uma história própria e não apenas de uma nova paixão.
Bia (Maria Ribeiro) e César (Rainer Cadete) também merecem atenção. O esteticista terá um momento importante na trama ao ajudar Adriana a conseguir documentos ligados a Adauto, perito envolvido na morte de Arthur (Antonio Fagundes). Mas, considerando o talento dos dois atores, ainda parece pouco.
Uma possibilidade interessante seria recuperar a obsessão de Brigitte pelo médico e criar uma nova dinâmica envolvendo Bia. A ciumenta poderia entrar em conflito com a filha de Pilar, abrindo espaço para cenas de humor, tensão e até situações mais dramáticas.
Também seria possível aprofundar a própria família de Bia e César, trazendo a filha do casal para uma história que mexesse diretamente com os dois.